Todo mundo sempre diz as vantagens de fazer um intercâmbio como o meu. Conhecer novas culturas, novas pessoas. No mais, você pode se reinventar - começar do zero tem dessas coisas.
Daí que é bem assim mesmo: você entra numa sala nova-cultura, cheia de novas-pessoas, e ninguém olha pra você. Você faz um amigo, conversa com pessoas mais velhas - que têm mais abertura e sempre te tratam como sobrinha.
Daí que você faz vááários amigos intercambistas, um mais maravilhoso que o outro, e você sabe que poderia absorver mais disso dos nativos também. Mas quem atrapalha, aí, são as pessoas.
Daí você apresenta um bom seminário de quinze minutos na sua turma. Depois disso, as pessoas passam a olhar nos seus olhos e te dão bom dia. Você é, reiventado então, reconhecido como um igual, competente e tem até respeito. Uma coisa infantil essa de desconfiar até que se prove o contrário. Quem atrapalha, aí, é a cultura.
Então você, que queria mais conhecer a cultura e acredita que o que vale mais em qualquer lugar é a alma (no sentido de peculiaridade e história) de cada pessoa que você conhece... você admira ainda mais o lugar de onde você veio, a sua própria cultura e a peculiaridade e história dos amigos que você já conhece.
Eu, em dois meses, vivo mais Brasília do que nunca.
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Pitoresco
domingo, 20 de abril de 2008
Desacordo ortográfico
Além de ovos, bacalhau e do novo carro do vizinho, outro assunto que não sai da boca do pessoal por aqui é o novo acordo ortográfico dos países de língua portuguesa. Enquanto alguns são militantes em defesa dos factos e protetores de Antónios, outros fecham a cara e dizem "não sei nada a respeito".
Há poucos dias, li em um jornal gratuito a frase "subordinar a língua ao Brasil" no meio de uma matéria sobre o assunto. Assim, como quem deixou escapar, os editores choram o ataque à mátria.
A mágoa de miguxo é tamanha que o jornal Metro publicou a opinião do grande José Saramago, um dos últimos grandes portugueses ainda vivos (restam Figo e Roberto Leal). Abaixo a matéria e suas alfinetadas.
Saramago vai ignorar acordo ortográfico
fonte: semanário SolO único prémio Nobel da Literatura em português, que reconhece ter escapado por “milagre” a uma pneumonia, já retomou a escrita do novo romance, “A Viagem do Elefante”, com edição prevista para o Outono. Entrevistado pelo “Sol”, em Lanzarote, Saramago, que nunca deixou que os seus livros fossem adaptados ao português do Brasil, conta como desenvolveu a sua forma particular de escrever (períodos longos, diálogos separados por vírgulas, ausência de itálicos, nomes próprios em minúsculas) e diz estar fora de questão mudá-la por causa do acordo ortográfico. “Continuarei a escrever como escrevo. Os editores e os revisores que façam o seu trabalho e que corrijam as palavras segundo a nova moda”. Saramago vai estar em Portugal na próxima semana para inaugurar, dia 23, uma exposição sobre a sua vida e obra no Palácio da Ajuda.

